24/11/2009

GAZETA DO POVO

VIDA E CIDADANIA - Curitiba - 23/11/2009 | Por Mauri König

“Não matem nossas crianças”


Documentário denuncia o infanticídio praticado por tribos indígenas. Os próprios índios têm se colocado contra a prática e pedem ajuda, mas a Funai se omite

















Em julho de 2008, defensores de um projeto de lei que protege crianças indígenas portadoras de deficiência e que poderiam ser vítimas de infanticídio fizeram uma manifestação no Rio de Janeiro


Indígena por parte de pai, Sandra Terena ouvia-o desde pequena falar sobre a prática do infanticídio em diferentes aldeias do país, mas só se deu conta da gravidade do assunto já adulta. Quando há quase dois anos uma ONG brasileira e uma entidade evangélica dos Estados Unidos causaram furor internacional com um docudrama sobre a morte de crianças nas tribos amazônicas, Sandra já produzia seu próprio filme. Por fim, Quebrando o silêncio, documentário de 30 minutos, resultou do trabalho voluntário de cinco pessoas e de 80 horas de gravações ao longo de três anos em sete aldeias do país.



“Eu pensava que matar crianças era uma prática do passado, mas descobri que meus parentes, em algumas aldeias, ainda fazem isso”, lamenta Sandra, que na língua de sua tribo se chama Alieté. “Inocentes que não têm chance de escolher viver são sacrificados. Todo mundo sofre: sofre o pai, sofre a mãe, a criança e quem luta para que a criança não morra”, diz. Mas há um movimento contrário aos costumes: “hoje tem parentes que estão escolhendo vida para as nossas crianças.” A partir dessa constatação, Sandra apresentou o projeto ao casal de cinegrafistas André e Cristina Barbosa, que coletou depoimentos de indígenas no curso de quase três anos.



O documentário traz declarações de representantes de 12 et­­nias contrárias à prática do infanticídio, além do relato de sobreviventes e de pais que fugiram da aldeia para salvar os filhos. Crian­­ças indesejadas são condenadas à morte por nascerem com deficiência física ou mental, serem gêmeas, filhas de mãe solteira ou tidas como portadoras de azar para a comunidade. São enterradas vivas, sufocadas com folhas, envenenadas ou abandonadas para morrer na floresta. A Atini – voz pela vida, organização sem fins lucrativos sediada em Bra­­sília que atua na defesa do direito das crianças indígenas, identificou 18 etnias no país onde há essa prática.



Não há dados confiáveis sobre infanticídio, e a Fundação Na­­cional do Índio (Funai) diz se tratar de casos isolados, inexpressivos para justificar uma política de Estado. As 18 entidades que subscrevem o site www.hakani.org endossam dados que de­­mons­­tram ser essa uma prática mais comum do que a Funai admite. “Muitas das mortes por infanticídio vêm mascaradas nos dados oficiais como morte por desnutrição ou por outras causas misteriosas”.



De acordo com essas entidades, encabeçadas pela Atini, pesquisa realizada por Rachel Alcântara, da Universidade de Brasília, mostra que só no Parque Xingu são assassinadas cerca de 30 crianças todos os anos. E de acordo com o levantamento feito pelo médico sanitarista Marcos Pellegrini, que até 2006 coordenava as ações do Distrito Sanitário Ianomâmi, em Roraima, 98 crianças indígenas foram assassinadas pelas mães ou por alguém da tribo em 2004. “Em 2003 foram 68, fazendo dessa prática cultural a principal causa de mortalidade entre os ianomâmi”, destaca o site.



“Tenho acompanhado essa situação do infanticídio. Isso não é de hoje que ouço falar. Vejo em várias comunidades. Alguns rituais são diferentes, em cada povo, mas na verdade tudo acaba na morte de uma criança”, diz Carlos Terena, organizador dos Jogos Indígenas. “Nosso povo jaminawa matava, e às vezes enterrava, assim, vivo mesmo. Às vezes pegava no nariz deles... matava”, conta uma índia dessa etnia. “Coisa triste mesmo. Que foi enterrado pequeno, rapazinho já. Não era mais criança, não. Eu mesmo vi isso”, relata no documentário o cacique Aritana Yawalapiti.



“Se criança nasce aqui dentro da comunidade, eles enterram”, diz Paltu Kamayurá, que teve um dos filhos gêmeos sepultado vivo. “Até hoje não esqueço, porque estou vendo o menino, o crescimento dele, aí eu penso no outro também. Agora meu pensamento não é mais como o deles, não é mais pensamento de antropólogo. Eles falam: ‘Deixa esses índios viverem assim. Essa é a cultura deles’. Não é. Porque a cultura não para. Ela anda. O pensamento também anda, igual à cultura”, observa.



“Há quem diga que essa prática faça parte da nossa cultura, e que por isso deve ser mantida. Mas desde quando uma cultura para no tempo? Por que a gente tem de continuar com uma prática que nos faz sofrer, que nos faz mal, que nos causa remorso? Vida não combina com morte. Será que para manter nossa cultura viva precisamos matar nossas crianças?”, questiona Sandra no documentário. “Mas lideranças indígenas têm levantado a voz contra a prática do infanticídio”, continua. Foi por essa razão que ela decidiu usar a formação em Jornalismo em favor dos povos indígenas.



Sandra agora busca apoio financeiro e logístico para exibir o documentário nas aldeias do país. Ele já foi exibido em setembro no Xingu, durante evento de mulheres indígenas. Quebrando o silêncio é um dos três finalistas na categoria “Reduzir a mortalidade infantil” do prêmio Volun­­tariado Trans­formador, promovido pelo Centro de Ação Vo­­lun­­tária de Cu­­ri­­tiba. A cerimônia de premiação será amanhã, no Teatro Positivo.



Os sobreviventes





Marité e Tximagu Ikpeng tiveram de abandonar a aldeia, no Xingu, para salvar os trigêmeos.







No documentário Quebrando o silêncio, Marité relata como é o in­­fanticídio entre seu povo. “Nasceu, já faz o buraco, já fica tudo preparado. Quando nasce, enterram a criança. Enterram vi­­vo ou quebram no meio”, descreve. “A gente não queria perder os bebês. A gente ama as crianças”, diz. Por isso fugiram. “Se eu tinha de seguir as regras da cultura, não era bom para mim. Então falei: ‘vou quebrar essa regra e tenho que seguir outro caminho’”. Ago­­ra, sonha cursar Medi­cina pa­­ra ajudar a aldeia, inclusive a mudar o pensamento.


O cacique Tabata Kuikuro também abandonou a aldeia pa­­ra criar gêmeos. “Como posso deixar meu filho? Alguém vai fa­­zer mal para ele, matando ele”, diz. “Eles são meus filhos, não são bichos”. Nem sempre o socorro chega a tempo. Marcos Mayo­ru­­na sobreviveu, mas o irmão foi queimado vivo aos 10 anos de ida­­de. “Nós éramos gêmeos, e o ca­­cique José interpretou errado. Mas meu próprio povo me condenou à morte”, diz. “Todos os indígenas que matam gêmeos ou deficientes sofrem depois que analisam por que mataram”. Adotado por um sargento do Exército, Marcos está há oito anos no Rio de Janeiro e faz faculdade de Enfermagem.



O infanticídio é particularmente doloroso para as mulheres. Lúcia Bakairi salvou o irmão do infanticídio ao enfrentar a mãe. “Minha mãe lutou para matá-lo. Ela saiu, foi embora para o mato. De lá ela veio para falar assim: ‘Ô criança, vai lá no mato, vai enterrar aquela criança’”, relata. Até mesmo quem não tem grau de parentesco se sensibiliza com os condenados. “Essa aqui é minha criação”, diz Kaiana Waurá, mostrando no colo a filha adotiva. “A mãe queria enterrá-la. A tia dela a levou para a casa da avó. Aí ficou cinco dias sem tomar leite. Aí, eu falei pro meu marido que vou criar ela”, conta. (MK)



Documentário criou polêmica internacional


Há um ano e meio uma ONG brasileira e uma organização evangélica norte-americana causaram uma discussão internacional ao produzir um misto de documentário e drama para uma campanha contra o infanticídio nas tribos da Amazônia. O vídeo enfureceu a Fundação Nacional do Índio (Funai) e a Associação Brasileira de Antropologia (ABA) ao retratar a história de Hakani, menina da etnia Suruwaha, uma das tribos às margens do Rio Purus que ainda praticam o ritual.



Lideranças indígenas pedem ajuda


Várias lideranças indígenas fazem ecoar pedidos de socorro ao longo de Quebrando o Silêncio. “A criança é o futuro dos indígenas. Devemos investir na vida deles. Devemos dar o direito à vida. Que ela viva, cresça e se torne um indígena que ame sua cultura e que saiba como trabalhar dentro da sua cultura e dentro do Brasil”, diz Eli Ticuna, vice-presidente do Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos. “É necessário que alguém corajoso se levante, para interferir nessas práticas culturais que são prejudiciais para a pessoa humana”, argumenta.



“Nós temos índios que recebem muita influência dos antropólogos, e acham que os costumes são intocáveis”, diz Álvaro Tucano, líder tucano no Amazonas. “O que é errado nós temos de corrigir. Nós temos de ter a capacidade de melhorar o nosso comportamento. E não continuar achando que aquele pajé está certo quando ele vai dar veneno só porque ele está fazendo bem para a sobrevivência do costume. Não. Ele está errado”, enfatiza. “Acho que a gente tem de saber modificar o nosso povo, consertando os erros internos.”



“A cultura é dinâmica. A cada momento muda a cultura, de geração em geração. Isso o antropólogo tem de entender, que a gente não perdeu a língua”, diz Marcos Mayoruna. “A gente não tem nada contra o antropólogo, só que ele interpreta errado. Alguns atrapalham, por exemplo, indigenista, Funai. Quero que a Funai entenda que tem de haver a mudança”, completa. (MK)










14/11/2009

"Se eu voltar para a aldeia vou ficar tão triste que vou tomar veneno."

A indígena Muwaji Suruwahá, atendida pela ATINI, recebeu uma visita inesperada nesta semana - uma comitiva formada por antropólogos e agentes do CIMI e da FUNAI, que chegaram em dois carros na chácara da ATINI em Brasília.

O objetivo da comitiva era mostrar um vídeo gravado na aldeia suruwahá, no interior do Amazonas, no qual dois parentes pediam o retorno de Muwaji e de sua família. A pressão emocional foi grande, mas Muwaji permaneceu firme em seu propósito. Depois de assistir a filmagem e ouvir os argumentos da equipe, Muwaji respondeu simplesmente:

"Eu não vou voltar, vou ficar em Brasília. Minha filha não anda ainda, vocês não estão vendo? Se a FUNAI me levar de volta, minha tristeza vai ser tão grande que eu vou tomar veneno. Eu vou ficar aqui e as crianças vão ficar aqui comigo - são minha família e eu cuido delas."

Muwaji é uma mulher decidida. Nascida na tribo suruwahá, no interior do Amazonas, ficou viúva ainda muito jovem. Mãe de Ahuhari e da menina Iganani, aprendeu cedo a lutar pelo que quer.

Quando sua filha Iganani começou a apresentar problemas de desenvolvimento motor, Muwaji decidiu ir contra a tradição e manter viva a menina. Decidiu sair da aldeia num helicóptero da FUNASA para buscar ajuda na "medicina dos brancos". Logo descobriu que sua filha sofria de paralisia cerebral, uma doença grave, e que talvez nunca aprendesse a andar.

Muwaji conhece bem a tradição do seu povo e as condições de vida na sua comunidade. Sabe sabe que não conseguiria garantir a integridade física nem a dignidade de sua filha estando dentro da aldeia. Por isso decidiu ficar em Brasília por tempo indeterminado e lutar por tratamento médico para ela. Muwaji já mora em Brasília há 3 anos e Iganani é atendida pelo Hospital Sarah, onde é acompanhada por uma equipe de pediatras, psicólogos e fisioterapeutas. Além de Iganani, Muwaji cuida também de seu filho Ahuhari e de sua sobrinha órfã Inikiru. Inikiru perdeu o pai e a mãe, e foi adotada por Muwaji.


As três crianças estão saudáveis e felizes, frequentam a escola e praticam atividades de lazer. Conversam entre si na língua suruwahá e procuram manter a cultura e a identidade indígena, mesmo morando longe da aldeia. Muwaji tem orgulho de ser suruwahá e planeja um dia voltar. Segura, ela concluiu a reunião de forma taxativa:

"Quando eu quiser visitar meus parentes na aldeia, eu mesma procuro vocês. É só isso que tenho a dizer."

15/10/2009

UMA CHANCE PARA AS CRIANÇAS INDÍGENAS

Documentário questiona a tradição dos índios que se livram de um dos gêmeos por acreditarem que o bebê é sinal de má sorte

CORREIO BRAZILIENSE
Danielle Santos - Publicação: 08/10/2009


Autora do vídeo, Sandra Terena defende assistência especial
às famílias que não aceitam mais essa crença.
Foto: Carlos Moura/CB/D.A Press


Brasília - O olhar triste dos índios Marité e Tixumagu da etnia Ikpeng, de uma aldeia do Xingu, no Mato Grosso, denota a desilusão em ter de abandonar os costumes da comunidade para viver na cidade em busca do novo.

O motivo da fuga está no colo do casal: os trigêmeos que nasceram este ano e que não foram aceitos pela comunidade por uma tradição cultural que acredita que filhos numa mesma gestação podem trazer azar. Para evitar o sacrifício deles, prática comum, a família teve de ser forte para seguir outro caminho. "Tenho certeza de que eles vão se orgulhar quando crescerem. Tenho orgulho de ter conseguido seguir com essa ideia e não deixá-los morrer", diz o pai.

O líder indígena Tabata Kuikuro, também da comunidade xinguana, foi tão firme quanto o casal Marité e Tixumagu ao saber que sua esposa deu à luz gêmeos, hoje com dois anos. "São meus filhos, como vou deixar alguém fazer mal a eles, deixar matar igual se mata bicho?".

Os dramas como o de Marité, Tixumagu, Tabata e Pautú se misturaram a tantos outros e viraram documentário intitulado "Quebrando o Silêncio". O material, colhido ao longo de três anos, com depoimentos de comunidades de diversas etnias, é de responsabilidade da índia Terena que resolveu pesquisar sobre o infanticídio pelas aldeias por onde andou. Mãe de um bebê de 1 ano e sete meses de nome Tenó, Sandra disse que sempre ouviu falar sobre o assunto quando pequena, mas não acreditava que ainda fosse comum em comunidades que já têm contato com os "brancos".

A jovem diz não querer mudar a concepção cultural e colocar a prática do infanticídio como crime, mas alertar para a necessidade de assistência especial às famílias que não aceitam mais essa crença dentro de suas comunidades. "Constatei que muitas famílias - a maioria jovem -, que estudam e trabalham fora da aldeia, não enxergam mais suas tradições como antes, e a pressão da comunidade as obriga a se encaixar numa situação que não tem mais fundamento para elas", diz Sandra.

Busca de apoio - A riqueza de detalhes contados em 80 horas de fita, três anos de captação e mais dois meses de finalização, rendeu o documentário de 29 minutos e virou meio para sensibilização e busca de apoio. Na última quarta-feira, Sandra enfrentou 22 horas de viagem até Brasília para mobilizar autoridades do governo e parlamentares. "Quero batalhar por ajuda em todos os lugares."

Narradora do documentário e fundadora da ONG indígena Sirai-i, Divanete da Silva, casada com um índio há 14 anos, adotou três crianças indígenas, filhas de pais diferentes, que seriam enterradas vivas. "No início, foi complicado levar esse assunto para as famílias, mas aos poucos fui conquistando abertura."

03/07/2009

TABU - Caso raro de trigêmeos entre ianomâmis mobiliza aldeia na Amazônia

Reportagem de Fabiana Parajara, Agência O Globo (02/07/2009)


SÃO PAULO e MANAUS - O nascimento de trigêmeos na aldeia ianomâmi de Ariabú, em Maturacá, no Amazonas, em meados de junho, foi motivo de apreensão entre os profissionais da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), responsáveis pela saúde dos índios da região. Crianças gêmeas concebidas por índias dessa etnia costumam ser vistas como fonte de azar para a aldeia, de acordo com a tradição ianomâmi. Para eles, os gêmeos têm a 'alma partida', e representam o bem e o mal. Como não dá para saber qual criança representa o mal, ambas são sacrificadas por abandono, sufocamento ou envenenamento. Bebês com deficiência física têm o mesmo destino. As mulheres ianomâmi são encarregadas do trabalho pesado, e não podem cuidar dos crianças com algum tipo de deficiência.

No caso dos trigêmeos, o desfecho foi diferente. Na aldeia de Ariabú, o tabu do sacrifício de crianças de 'alma partida' parece ter sido quebrado. O próprio pai insistiu em ficar com os bebês. E toda a comunidade já se dispôs a ajudar o casal na criação das meninas, que foram concebidas naturalmente, e nasceram de cesariana no Hospital de Guarnição, em São Gabriel da Cachoeira. Os bebês e a mãe, a índia Danila, agora estão na Casa de Saúde do Índio em Santa Izabel do Rio Negro e a alta deve ocorrer em duas ou três semanas. Além da ajuda da comunidade, a Funasa também vai mandar uma técnica em enfermagem para a aldeia.

" Foi muita sorte. Se tivessem nascido em outra tribo, elas talvez não tivessem chance "

- Se as meninas tivessem nascido entre os ianomâmi de Roraima, por exemplo, dificilmente teríamos conseguido atendê-las. Lá as tradições são preservadas. Mas as tribos do Amazonas são diferentes. A mãe das trigêmeas, Danila, até rejeitou uma menina que estava mais fraquinha, mas o pai insistiu que queria a criança e todas estão sendo bem cuidadas. As crianças vão para a aldeia assim que ganharem um pouco mais de peso - explicou Joana Claudete Schuertz, da Funasa de Roraima, responsável pelos índios ianomâmi da Amazônia. Segundo a funcionária da Funasa, a mãe tem outros sete filhos.

- Certamente ela vai precisar de ajuda e vamos acompanhar de perto. Mas o pai e o restante da família se comprometeram a ajudar - diz Joana, que afirmou ser o primeiro caso de trigêmeos que ela conhece entre os ianomâmi.

Joana diz ainda que as crianças estão bem e receberam muitas doações de fraldas e roupas.

- Foi muita sorte. Se tivessem nascido em outra tribo, elas talvez não tivessem chance - diz Joana, referindo-se ao tabu ianomâmi.

Casos como o da aldeia Ariabú, em que toda a comunidade rompe com tradições milenares, são ainda uma exceção entre os ianomâmi. Não há dados precisos sobre infanticídio entre tribos brasileiras, mas sabe-se que a maioria dos casos de morte de crianças com menos de um ano entre os ianomâmi acontece por esse motivo.

Em algumas tribos, os pais decidem enfrentar todo o grupo para quebrar o tabu e salvar os filhos, já que o sacrifício de crianças acaba provocando depressão no casal e, no limite, até casos de suicídio. Em março, uma menina ianomâmi da Amazônia, de um ano , vítima de hidrocefalia, também foi motivo de polêmica entre médicos e a Fundação Nacional do Índio (Funai). A criança foi internada com tuberculose e pneumonia, além da hidrocefalia, e foi mantida internada no hospital contra a vontade da família.

Os pais e a Funai pediam que o bebê fosse levado de volta à aldeia, apesar do risco de ela não resistir sem tratamento adequado. Segundo os pais, ela deveria ser tratada pela medicina indígena. Havia ainda o medo de a menina ser sacrificada por conta do problema. A Funai recorreu à Justiça, assegurando que ela não seria sacrificada e afirmando que os direitos dos índios estava sendo desrespeitados.

A Justiça negou a volta à aldeia, mas determinou que a criança fosse transferida para uma unidade de Saúde mais próxima da tribo. Desde abril, ela também está na Casa de Saúde do Índio de Santa Izabel do Rio Negro. Apesar de ter uma saúde frágil, a criança tem todo o acompanhamento médico necessário e a família está por perto na Casa de Saúde. Foi outro final feliz.

26/06/2009

trabalho da atini na revista VOGUE

Depoimento de leitora da Revista Vogue

“Através da Revista VOGUE tive conhecimento do trabalho de vocês e fiquei muito comovida com a história da luta das famílias indígenas para salvar seus filhos ou irmãos. Fui tão tocada quando comecei a ler a reportagem e fiquei emocionada... e cheguei então ao site da Atini.

Minha história também é de luta. Adotamos um lindo bebezinho Down, o Danilo que hoje está com 2 anos e 11 meses , e é uma criança alegre, inteligente e saudável. Com ele somos uma família completa. Sei que as pessoas não aparecem em nosso caminho por acaso, muitas vezes elas nos ensinam a amar. Parabéns pelo trabalho e exemplo de vocês. Queremos ajudar no que for possível a essas famílias. Isso certamente nos deixará felizes. Hoje sou uma das madrinhas do Programa de Apadrinhamento da Atini. Agradeço a vocês.”

Karla Nobre - São Paulo



O Programa de Apadrinhamento celebra no primeiro semestre de 2009 a adesão do centésimo padrinho. Dezenas de famílias brasileiras tem abraçado a oportunidade de ajudar a transformar a vida de crianças inscritas em nosso Programa. Isso tem sido feito de diversas maneiras tendo como base relacionamentos, com o objetivo de promover a dignidade dos afilhados.

Os olhos brilhantes das crianças ao receberem uma cartinha, um presente, uma visita, um recado amoroso e o de seus pais ao administrar com responsabilidade o recurso que lhes é repassado, nos dá a impressão de que estamos no caminho certo. Com a plena certeza do começo de uma longa caminhada, ver que a página da história das crianças tem sido marcada com amor e carinho nos encoraja a prosseguir firmes rumo a uma vida mais digna e repleta de esperança.

Nosso muito obrigado a cada padrinho e madrinha, aos gestores, colaboradores e voluntários que acreditam no Programa e as crianças, como a Hakani, que com apenas um sorriso nos mostram que já valeu a pena.

Margaret Muniz

08/05/2009

Quem são as crianças atendidas pela ATINI?

A ATINI é uma organização social sem fins lucrativos, formada por indígenas, antropólogos, advogados, educadores, linguistas e religiosos, voltada para a defesa dos direitos das crianças indígenas.

Diversos programas sociais são desenvolvidos pela ATINI e o apoio às crianças em situação de risco é apenas um deles. A ATINI recebe pedidos de ajuda de diversas etnias indígenas - são famílias que têm uma ou mais crianças em situação de risco e precisaram sair da aldeia por conta deste problema. Algumas destas famílias residem em Brasília em casas providenciadas pela organização. Existem também crianças apadrinhadas pelo programa da ATINI que moram na CASAI (Casa de Saúde Indígena da FUNASA) de Brasília.

Além destas crianças que residem em Brasília com seus familiares, a ATINI apóia também famílias indígenas em outras partes do Brasil, que por razões semelhantes, precisam residir temporariamente fora de sua comunidade de origem. A ATINI não trabalha com adoção de crianças indígenas, nem recebe crianças que não estejam na companhia de um parente indígena adulto que seja responsável pela mesma. Acreditamos que a medida que ouvimos a voz dos povos indígenas e ajudamos a empoderar estas famílias, eles mesmos conseguem lutar pelos seus direitos e garantir uma vida com dignidade para suas crianças.



Nas casas da ATINI prioriza-se o respeito às diversidade cultural e ao uso da língua materna. O ambiente é rico em manifestações culturais e come-se diariamente a comida tradicional indígena. A ATINI enfatiza que para a maioria das famílias esse é apenas um período de transição, e que todos eventualmente poderão voltar a viver em suas comunidades de origem.

Conheça abaixo as crianças atendidas pela ATINI e suas famílias.

A família de Amalé

Kamiru Kamaiurá salvou a vida do menino Amalé, que havia sido enterrado vivo em sua aldeia no Mato Grosso. Amalé sobreviveu, mas sofre de um tipo raro de anemia e é dependente de transfusões de sangue mensais. Kamiru procurou a ATINI no final de 2006, depois de viver por vários anos perambulando entre sua aldeia em mato Grosso, hospitais, e as casas de saúde indígenas de Brasília e de Canarana. Amalé vivia sofrendo internações constantes e estava muito debilitado. Kamiru queria um lugar onde pudesse residir com o Amalé por um período mais prolongado para que ela pudesse se dedicar aos cuidados de saúde que ele precisava. Na casa de saúde indígena ela não queria continuar porque não era um local adequado para eles morarem por tempo indefinido.


Kamiru foi recebida na Casa da ATINI em fevereiro de 2007 e a vida de Amalé melhorou muito desde então. Hoje ele ainda é acompanhado pela equipe médica do Hospital de Apoio de Brasília, onde faz transfusão de sangue todo mês, mas nunca mais precisou ficar internado. Kamiru tem consciência que a doença de Amalé é incurável e que ele provavelmente vai ter que viver na cidade pelo resto da vida. Amalé é um menino muito esperto, adora estudar e chora quando precisa faltar aula para ir ao hospital. A história de Amalé foi contada na reportagem O garoto índio que foi enterrado vivo da Revista Isto é.



Kamiru cuida também de sua neta Kamila, que vive com ela em Brasília devido a problemas familiares na sua comunidade. Kamila tem 4 anos, é linda e inteligente, e sempre que pode visita a mãe na adeia.

A família de Iganani


Muwaji Suruwahá tem 31 anos de idade e vive fora de sua comunidade indígena desde 2005, quando decidiu procurar ajuda médica na cidade para sua filha Iganani, que nasceu com paralisia cerebral. Muwaji teve que escolher entre sacrificar a filha ou deixar sua comunidade – e decidiu pela vida de Iganani.


Como Muwaji é viúva, ela não tinha como deixar na aldeia seu filho Ahuhari , na época com 9 anos de idade. Além disso, Muwaji é responsável pela sua sobrinha Inikiru, que é órfã de pai e mãe e não tinha ninguém que cuidasse dela na aldeia. Inikiru é sobrevivente de infanticídio e faz acompanhamento psicoterapêutico para superar os traumas de sua história – três de seus irmãos foram vítimas de infanticídio e seus pais se suicidaram.




Muwaji e sua família vivem hoje em Brasília, sob os cuidados da ATINI, com conhecimento da FUNAI e da FUNASA. Iganani faz acompanhamento médico no Hospital da Rede Sarah. Ahuhari e Inikiru estudam na Escola Classe da Granja do Torto, que tem um excelente programa de inclusão social para crianças indígenas. Inikiru já está alfabetizada e Ahuhari foi indicado para participar de um programa especial para crianças super-dotadas, pois ele desenha divinamente bem.

Muwaji pretende retornar com sua família para a aldeia assim que Iganani conseguir aprender a andar. Enquanto isso, eles visitam seus parentes no Amazonas uma vez por ano.

Família de Kanhu Raka


Macau e seu sogro Kotok Kamaiurá procuraram a ATINI em 2007 para pedir ajuda. A pequena Kanhu Raka, filha de Macau, estava muito doente. Ela estava muito fraca, tinha perdido a capacidade de andar e vivia isolada da comunidade, reclusa numa câmara escura dentro da maloca comunal. Eles pediram que a ATINI providenciasse uma casa em Brasília para que Kanhu pudesse se tratar no Hospital Sarah.

Em agosto Macau e sua esposa Juruka mudaram-se para Brasília com suas outras crianças. Kanhu Raka não pode se tratar no Sarah, como desejava seu pai, mas hoje ela é paciente do Instituto Genoma, em São Paulo, que diagnosticou sua doença – distrofia muscular progressiva. Ela faz fisioterapia diariamente, toma medicamentos específicos, faz uso de cadeira de rodas e órteses, e viaja regularmente para São Paulo para acompanhamento no Genoma. A família gosta muito dela e quer permanecer junto com ela o máximo possível, pois sabem que a doença de Kanhu não tem cura e é progressiva.



Além da Kanhu, Macau e Juruka cuidam de suas outras duas filhas, Lila e Letícia, e do seu único filho homem, Kotok. Lila tem muita habilidade para dança e por conta disso ganhou uma bolsa de estudos na escola particular, onde é muito querida pelos professores e pelos coleguinhas.




Enquanto estão em Brasília, Macau é responsável também por seus sobrinhos Jawakatiru e Makaruti. São dois pré-adolescentes que viviam em Brasília há vários anos com seus pais, na Casa de Saúde Indígena, mantida pela FUNASA, .Toda a família morava nesta instituição por conta do irmãozinho mais novo, Gil, ser portador de síndrome de Down, e não poder retornar à área indígena.

Morando na CASAI, Jawakatiru e Makaruti ficavam expostos a todo tipo de doença, e não frequentavam escola há anos. Quando Macau se mudou para Brasília, decidiu cuidar dos sobrinhos para que eles tivessem uma vida mais digna e também oportunidade de estudar. Makaruti e Jawakatiru estudam na Escola Classe da Granja do Torto e vão voltar à aldeia quando seus pais, Apahu e Kapitalalu, que vivem ainda na CASAI, autorizarem.

A família de Mayutá

Paltu e Carol Kamaiurá são os pais do menino Mayutá, de 2 anos de idade. Mayutá tinha um irmão gêmeo que foi sacrificado logo após o parto, na aldeia Kamaiurá. Com a ajuda do pai, Paltu intercedeu para que pelo menos um dos filhos fosse poupado, por isso Mayutá sobreviveu. Depois deste acontecimento traumático para a família, Paltu decidiu sair da aldeia e se mudar para Brasília para continuar seus estudos.


Hoje Paltu faz mestrado em Linguística na UNB e mora em uma das casas da ATINI na Asa Norte. Paltu e Carol têm mais dois filhos – Tamanuá e um bebê, que são também atendidos pelo programa de apadrinhamento da ATINI. O drama de Paltu já foi relatado na Folha de São Paulo, na matéria Infanticídio põe em cheque respeito à tradiçao indígena .

Família da Hakani

Edson e Márcia Suzuki são linguistas e atuaram por muitos anos como missionários da JOCUM, desenvolvendo projetos sociais entre os povos da amazônia. Viveram com os suruwahá por muitos anos e desenvolveram profundos laços de amizade com o povo. No ano 2000 Bibi Suruwahá entregou a eles sua irmãzinha Hakani, em estado grave, profundamente desnutrida, e incapaz de andar e de falar. A menina já tinha 5 anos de idade, mas pesava apenas 7 quilos e media 69 centímetros. Os pais de Hakani haviam se suicidado e a menina quase foi enterrada viva por conta de sua deficiência. Seu irmãozinho Niawi, que apresentava os mesmos sintomas, havia sido enterrado vivo diante da comunidade.

Edson e Márcia Suzuki retiraram Hakani da área indígena com autorização da FUNASA e levaram-na para Porto velho, onde iniciou seu tratamento médico. O diagnóstico foi hipotireoidismo, raquitismo e desnutrição. Com tratamento médico adequado, muito amor e cuidados, Hakani começou a reagir. Em pouco tempo aprendeu a andar e falar, mas iria precisar de tratamento médico pelo resto da vida. Suzuki e Marcia deram entrada no processo de adoção no Juizado da Infância em Porto Velho e conseguiram a adoção legal de Hakani, que passou a se chamar Ana Hakani dos Santos Suzuki.

Hoje a família vive em Brasíla – Hakani cursa a 4ª série no Colégio Leonardo Da Vinci e seus pais coordenam os trabalhos da ATINI. A história de Hakani foi relatada na matéria Crimes na floresta da revista Veja, e na matéria A segunda vida de Hakani do jornal Correio Braziliense.

Família Ticuna

Eli e Anita Ticuna se mudaram para Brasília na início de 2006, para trabalhar como colaboradores da ATINI. Antes disso eles viveram no Rio de Janeiro onde cursavam a faculdade e coordenavam um programa para jovens estudantes indígenas. Eli Ticuna é um líder indígena respeitado, vice-presidente do CONPLEI, e muito solicitado como palestrante em várias partes do Brasil.

Hoje, vivendo em Brasíla, Eli está concluindo sua graduação em Administração de Empresas e Anita está cursando mestrado em Linguística na UNB. Eli e Anita têm 4 filhos, os gêmeos Josué e Caleb, Fred e Eli. São crianças inteligentes e fluentes tanto em português quanto em Ticuna. Josué atuou no documentário HAKANI, produzido por David Cunningham, no papel de Bibi, irmão da menina Hakani. Foi muito elogiado pelo seu talento e dedicação e foi até homenageado numa cerimônia promovida pela Comisão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.


Anita Ticuna teve a infelicidade de perder uma irmãzinha na aldeia, que ela mesma ajudou a cuidar. Mas a menina deixou de ser alimentada pela mãe por ter uma irmã gêmea que parecia mais saudável que ela. Quando Anita teve os meninos gêmeos Josué e Caleb sofreu preconceito, mas decidiu pela vida. Hoje ela tem o maior orgulho dos seus meninos.
























14/04/2009

Iganani faz equoterapia na ANDE

A pequena Iganani, nascida na aldeia suruwahá já conseguiu muitas viradas em sua vida. Por ser portadora de paralisia cerebral, incapaz de se desenvolver como as outras crianças, foi condenada à morte em sua comunidade. Mas graças à sua força e alegria, e graças à coragem e persistência de sua mãe, Iganani não só sobreviveu, mas está tendo oportunidade de crescer com dignidade e cercada de amor.


Iganani vive hoje em Brasília com sua mãe, e enche de alegria as enfermeiras e cuidadoras na casa da ATINI. Ela é paciente da Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação, frequenta a AMPARE (Associação de Mães, Pais, Amigos e Reabilitadores de Excepcionais) e foi recentemente recebida no programa da ANDE (Associação Nacional de Equoterapia). Além disso, frequenta a Escola Classe 315 Norte, e é uma das crianças beneficiadas pelo programa de apadrinhamento da ATINI. No mês março Muwaji e Iganani receberam uma visita de funcionários do departamento de índios isolados da FUNAI, que constataram seu bem estar o desejo da mãe de dar continuidade ao tratamento.

Iganani já consegue marchar com a ajuda de um andador, fala suruwahá e português e é muito esperta. Segundo a equipe médica que a acompanha no Sarah, Iganani está tendo um excelente progresso e é possível que, no futuro, consiga andar com a ajuda de bengalas. Se isso acontecer, elas poderão voltar a viver na aldeia suruwahá, junto com o povo que tanto amam.

22/03/2009

XINGUANOS FORMAM GRUPO DE TRABALHO PARA DEFENDER CRIANÇAS

"Nós estamos sempre fazendo reunião para tratar do rio, da madeira, dos minérios - a única coisa que nós não estamos prestando atenção é nas nossas crianças. Nos temos que compreender que isso é muito triste. Isso agora não pode mais acontecer."
(trecho do discurso do Cacique Aritana Yawalapiti, em que fala sobre o infanticídio)

Mais uma vez os povos indígenas do Xingu se mobilizam para uma reunião que visa beneficiar as crianças que vivem no parque. A FUNSAX, fundação Sira'i'i do Xingu, coordenada por Paié Kajabi, convocou os monitores de saúde indígena para formar um grupo de trabalho com o objetivo de combater a prática do infanticídio nas aldeias do parque. O cacique Aritana Yawalapiti fez questão de assegurar a presença de todos os 46 monitores de saúde na reunião, que vai acontecer entre os dias 25 e 27 de abril, na cidade de Canarana.

Desde o ano passado este trabalho vem sendo realizado dentro do Parque Xingu pela organização indígena FUNSAX. Paié Kajabi, que juntamente com sua esposa Divanete, já salvou três crianças que seriam enterradas nas aldeias, tem tido um papel importante na conscientização dos xinguanos. Professores, caciques e monitores indígenas têm se mostrado muito sensibilizados com o problema das crianças e empenhados em encontrar soluções para que a vida destas crianças seja preservada.

Kakatsa é um jovem indígena consciente - ele coordena a distribuição dos recursos da ATINI para as crianças sobreviventes.

A convite da FUNSAX, a ATINI e o IPEAX também estão apoiando a realização desta reunião e da formação do grupo de trabalho. Durante estes três dias serão discutidas as estratégias e ações concretas que precisam ser tomadas para que a segurança das crianças seja garantida, com prioridade absoluta, em cada aldeia do Parque Xingu.

16/03/2009

Mercado Infantil Solidário

O Mercado Infantil Solidário é um projeto de ação social realizado pela Rede de Lojas Mercado Infantil. Todos os anos, as 13 lojas espalhadas pelo Brasil fazem parcerias com ONG's locais que recebem os donativos. O Mercado Solidário entra em ação a partir de meados de novembro e beneficia as instituições através da divulgação do trabalho e da doação de roupas para cranças de 0 a 10 anos.

As crianças da ATINI são beneficiadas por esta ação social pelo segundo ano consecutivo. A ATINI apóia famílias e crianças indígenas que precisam residir fora da aldeia para tratamento médico ou por outras razões. Dá uma olhadinha nas crianças indígenas que residem em Brasília vestindo as roupas doadas pelo MI Solidário. As crianças agradecem em uma das cinco línguas faladas nas casas da ONG:

- Waku kahato!






02/03/2009

ASSEMBLÉIA GERAL DA ATINI

CONVOCAÇÃO

Convocamos todos os membros da ATINI - VOZ PELA VIDA para participarem da nossa Assembléia Geral Ordinária, a ser realizada na tarde do dia 28 de março de 2009, às 14:00h, na SCRN 714/715, Bloco F, loja 18, Brasília-DF, para que sejam discutidos e se façam deliberações sobre os seguintes assuntos:

1. Aprovação de novos sócios beneméritos e colaboradores;

2. Projetos e programas da ATINI;

3. Aquisição de propriedade para a construção da sede da organização;

5. Abertura de escritório da ATINI no Rio de janeiro.

6. Reformulações no Estatuto.



Brasília, 02 de março de 2009.

Marcia Suzuki
PRESIDENTE DO CONSELHO DELIBERATIVO

06/02/2009

ATINI em luto - morre a menina Tititu Suruwaha

O Instituto Americano de Culturas Indígenas do Brasil - IACIB, através do seu presidente, o advogado indígena Davi Terena, entrega documento na Sexta Câmara da Procuradoria da República em Brasília, exigindo esclarecimentos sobre a morte da menina indígena Tititu Suruwaha.



A morte de Tititu precisa ser esclarecida. Depois de lutar por três anos pela vida de sua filha, Naru Suruwaha se desespera ao vê-la morrer de desidratação súbita na área indígena, no interior do Estado do Amazonas.

Tititu se tornou nacionalmente conhecida quando seu pai Naru fez um apelo emocionante à Nação Brasileira no programa Fantástico da Rede Globo, em 2005. Sua filha sofria de uma doença hormonal que causava, entre outros problemas, uma deformidade no órgão genital. Ela precisava de uma cirurgia corretora para não ter que ser sacrificada na aldeia, como reza a tradição cultural.

Naru teve que lutar muito contra o relativismo cultural reinante nos meios indigenistas para conseguir uma autorização da FUNASA para que sua filha passasse por uma cirurgia reparadora do órgão genital. Ele estava desesperado, pois sabia que sem a cirurgia, sua filha teria que ser sacrificada. Mas ele estava decidido a não fazer isso porque a amava. Chegou a dizer que se tivesse que matá-la, ele se suicidaria em seguida, de tanta tristeza. Finalmente, depois de meses de insistência, Naru conseguiu a autorização para a cirurgia.

Naru tinha plena consciência de que a doença de sua filha exigiria cuidados pelo resto da vida, mas ele e sua esposa aprenderam a administrar os medicamentos e voltaram satisfeitos para a aldeia. Tititu foi aceita com alegria pela comunidade e estava crescendo feliz entre seus parentes. Regularmente eles eram levados pela FUNASA até Manaus onde Tititu fazia os exames de sangue necessários para controlar a dosagem do medicamento.


A notícia da morte súbita de Tititu surpreendeu a todos. Segundo relato do enfermeiro do DSEI local, Tititu morreu de desidratação. Sabendo que a falta do medicamento prescrito causa desidratação súbita e leva a óbito, o IACIB exige que a FUNASA e a FUNAI prestem esclarecimentos e expliquem o que de fato aconteceu com a menina Tititu Suruwaha.

De acordo com a documentação apresentada por Davi Terena, o medicamento que a menina tomava custava menos de dez reais a caixa e podia ser comprado em qualquer farmácia. O que aconteceu? Será que faltou medicamento? Será que a dosagem estava correta? Será que a FUNASA estava realizando os exames necessários?




22/01/2009

PEC visa inibir infanticídio étnico-cultural por indígenas

Agência Câmara - 20/01/2009


Proposta de Emenda Constitucional - esperança para crianças indígenas rejeitadas por razões étnico-culturais


Pompeo de Mattos ressalta que fazer respeitar o direito à vida humana entre os índios não constitui afronta a sua cultura.

A Câmara analisa a Proposta de Emenda Constitucional 303/08, do deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), que condiciona o respeito aos direitos indígenas de organização social, costumes, línguas, crenças e tradições ao respeito à vida. De acordo com o autor, a intenção é inibir a prática de infanticídio de ordem étnico-cultural, seja em caso de aborto seja em caso de homicídios de recém-nascidos.

"Fazer respeitar o direito à vida humana entre os indígenas não constitui desrespeito ou afronta a sua cultura, mas, pelo contrário, configura respeito a sua particularidade cultural no âmbito da sociedade brasileira, a qual, por meio da Carta Constitucional de 1988, considera inviolável o direito à vida de todos os brasileiros, inclusive os indígenas, e estrangeiros", argumenta o autor.

No entendimento do deputado, ao não reforçar o respeito ao direito à vida no artigo 231, que trata dos direitos indígenas, a Constituição Federal deixa entender que as práticas de homicídio em contexto étnico-cultural específico, tais como o infanticídio, são aceitas pelo ordenamento constitucional.


Tramitação

A proposta terá a admissibilidade analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Se for aprovada, será examinada por uma comissão especial e, posteriormente, precisa ser votada em dois turnos pelo Plenário.

Reportagem - Vania Alves
Edição - Marcos Rossi
(Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara')
Agência Câmara
Tel. (61) 3216.1851/3216.1852
Fax. (61) 3216.1856

06/01/2009

filósofo aborda infanticídio indígena no estadão e no globo


Segunda-Feira, 05 de Janeiro de 2009
O Estado de S. Paulo
http://www.estadão.com.br/

Infanticídio
Denis Lerrer Rosenfield




O Brasil está sendo tão acometido da sanha do politicamente correto que o olhar de muitos não consegue ver coisas que acontecem ao nosso redor. Assim, há em curso uma tentativa de resgate de nossa história que está escorregando no seu contrário, como quando os indígenas são vistos segundo a ótica do "bom selvagem", no sentido de Rousseau. A política indigenista aí enraizada, com apoio explícito de movimentos ditos sociais, termina por pactuar com comportamentos que atentam diretamente contra a própria Constituição. Em nome do relativismo moral, da igualdade entre todas as culturas, comportamentos dos mais inusitados, para não dizer bárbaros, são admitidos.

Há vários relatos de infanticídios entre as populações indígenas, que são simplesmente tolerados, se não explicitamente admitidos, em nome da igualdade entre culturas. As causas podem ser as mais variadas, desde a existência de gêmeos até a escolha de sexo, passando pelos mais distintos motivos. Em terra ianomâmi, tão celebrada como exemplo de política indigenista, tudo indica que se trata de uma prática comum.

Observe-se que esses índios são os que vivem mais à parte do contato com os civilizados, embora em muitas aldeias existam postos da Funai e da Funasa. Habitam um imenso território e, no entanto, vivem subnutridos, o que é visível à simples observação dos homens e das mulheres. O argumento de que amplas extensões de terras são fundamentais para a sua reprodução física parece não se sustentar, dadas as suas condições precárias de vida. A ideia do bom selvagem em condições idílicas parece ser mais um produto ideológico da Funai, do Cimi e dos movimentos sociais em geral.

Numa das aldeias, é comum o relato do infanticídio enquanto prática cultural dessas populações. Nas palavras de um interlocutor, matar ou não um recém-nascido é uma "decisão dos pais". Ou seja, cabe ao livre-arbítrio dos pais manter ou não em vida um recém-nascido, não havendo nenhuma lei que se sobreponha a essa. Nesse sentido, eles se situariam fora ou acima da Constituição brasileira, que assegura o direito à vida. Os argumentos apresentados podem ser vários, desde o tamanho da roça até o fato de os indivíduos do sexo masculino serem privilegiados, com a morte consequente de recém-nascidos do sexo feminino. Imaginem se tal prática fosse universalizada, tornando-se válida para todos os brasileiros!

Ora, quem sustenta o infanticídio como sendo apenas uma prática cultural compactua, na verdade, com um crime severamente punido pela legislação brasileira. Os indígenas são, assim, tratados como se não fossem brasileiros, a lei não se aplicando a eles. Temos aqui um evidente paradoxo: como a Constituição brasileira não se aplicaria a eles, estando suas aldeias situadas em território nacional e sendo auxiliados, e mesmo apoiados, por instituições do Estado? Como pode uma cláusula pétrea ser relativizada dessa maneira?

Ainda numa outra aldeia, da mesma tribo, há relatos de que o infanticídio seria cometido com o conhecimento de missionárias ali instaladas. As mulheres vão para o mato antes do parto, costumam ter seus filhos sozinhas, voltando, depois, sem o recém-nascido. A morte é feita por sufocamento, com a mãe asfixiando a criança no chão, com o pé. A situação não poderia ser mais escandalosa, pois esse tipo de conivência contraria frontalmente os princípios do cristianismo e, de modo mais geral, de toda a humanidade. Os princípios mesmos do Evangelho são frontalmente desrespeitados. Como pode uma prática dita cultural se sobrepor a um princípio universal? Salvo se partirmos de uma outra posição, a saber: a inexistência de princípios universais, o que equivaleria a remeter toda a humanidade à barbárie. Por que não reintroduzir, então, a antropofagia, prática que foi comum a determinadas tribos na história brasileira, em nome da "igualdade" entre diferentes culturas?

A situação deveria suscitar a indignação moral. Em nome de uma "prática cultural", haveria conivência com o assassinato de recém-nascidos, como se esta prática devesse ser "culturalmente" preservada. Ou ainda, em nome do "estruturalismo", é como se devêssemos abdicar de nossa capacidade de julgar. Parece, no entanto, haver uma tergiversação geral sobre o assunto, englobando as diferentes autoridades envolvidas. Trata-se de uma manobra propriamente política perante a opinião pública brasileira, que desaprovaria tal prática se dela tivesse conhecimento. Vendem, porém, um outro produto, o de que os indígenas são "bons selvagens", havendo uma harmonia natural entre eles, como se o assassinato, por exemplo, fosse fruto do mundo civilizado. Para que possam guardar as suas respectivas posições de poder, continuam insistindo nessa ideia rousseauniana ao arrepio completo da verdade.

A opinião pública condena severamente o infanticídio. Uma menina que teria sido assassinada pelo pai e pela madrasta, atirada de um edifício, ocupou durante semanas o noticiário radiofônico, televisivo e impresso do País, causando indignação geral. Provocou uma verdadeira comoção nacional. Outros casos são também relatados com detalhes, produzindo uma intensa reação e suscitando fortes emoções. Mesmo criminosos, nos presídios, não compactuam com essa prática, procurando eliminar fisicamente os que realizam tais atos. O próprio "código" dos criminosos exclui essa prática, por se colocar fora dos parâmetros de qualquer tipo de humanidade. Por que seria ela tolerável entre os indígenas? No fundo, o que está em questão, para aqueles que defendem tais posições ou são omissos em relação a elas, é o medo da perda de suporte junto à opinião pública. Se fossem mostrados coniventes e cúmplices com tal prática, perderiam sustentação e seriam forçados a abdicar de suas posições ideológicas e políticas. Eis por que o ocultamento é aqui a regra.

Denis Lerrer Rosenfield é professor de Filosofia na UFRGS. E-mail: denisrosenfield@terra.com.br

01/01/2009

OS NÚMEROS DA ATINI

40 crianças é só o começo, mas mesmo assim, já dá gosto contar... Com a sua ajuda, conseguimos alcançar números extraordinários em 2008!

11.800 foram os beijus de tapioca feitos pela mulheres Kamayurá, Suruwahá e Ticuna para alegria das nossas crianças. Nossa criançada consumiu 15 mil copos de leite, 8 mil bananas e 13 mil laranjas! Nossos bebês usaram 5.184 fraldas descartáveis!

250 foram os cadernos, além dos 80 lápis e das 120 borrachas usados pelas crianças, a medida que elas descobriam o poder da palavra escrita.

18 são os líderes indígenas que se articularam no movimento nacional a favor da vida - Adão Kaiwá, David Terena, Edson Bakairi, Lúcia Bakairi, Eli Tikuna, Jorge Ticuna, Anita Ticuna, Kakatsa Kamaiurá, Karatsupá Kamaiurá, CarlosTerena, Álvaro Tucano, Aritana Ywalapiti, Marcos Mayoruna, Paiê Kajabi, Luiz Terena, Henrique Terena, Paltu Kamaiurá e Josué Paumari.


55 foi o número de etnias indígenas que assistiram o filme Hakani: Bakairi, Baniwa, Baré, Bora, Bororo, Canela, Cinta Larga, Coripaco, Dâu, Desano, Gavião, Guajajára, Hexkaryana, Ka’apor, Kaxinauwa, Kayapó, Macuchi, Makari, Munducuru, Nhengatu, Wari, Pataxó, Paumari, Pira-tapuía, Poyanua, Suruwaha, Quechua (Peru), Sanumá, Sateré-Mawé, Shinpibo, Surui, Terena, Tikuna, Tukano, Uai-uai, Ucayali, Wacaru, Waiãpi, Wapixana, Werekena, Xavante, Yanomami, Zoró, Caiuá, Guarani, Palikur, Pataxó, Wayuu, (Colômbia/Venezuela), Kajabi, Kuikuro, Kalapalo, Waurá, Mehinaco, Jarawara e Yawalapiti.

4.850 foi o número de pessoas (adultos e crianças, de dentro e de fora do Brasil), que juntaram sua voz à voz dos indígenas e fizeram pressão política pelo direitos das crianças – assinaram documentos, fizeram abaixo-assinados, enviaram mensagens, desenhos, telefonaram, conversaram com políticos, se manifestaram nas ruas e participaram de audiências públicas.

7 foi o número de Deputados Federais que defenderam as crianças indígenas no Congresso - Henrique Afonso, Miguel Martini, Sebastião Bala Rocha, Pompeo de Mattos, Antônio Roberto, João Campos e Cleber Verde.

14 foram as cidades brasileiras onde houve manifestações a favor da Lei Muwaji, em defesa das crianças indígenas – Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Guarulhos, Recife, Belo-Horizonte, Aracaju, Porto Velho, Salvador, Cuiabá, Porto Alegre e Belém. 300 foram os bonecos indígenas usados nas manifestações a favor da vida no Rio e em Brasília.

55 Foi o número de eventos que a ATINI participou - palestras em universidades, exibições do documentário, reuniões em igrejas, cultos, conferências, festas em escolas, manifestações públicas e reuniões no Congresso.

6.500 foi o número de cópias distribuídas do documentário Hakani, que foi produzido em 5 línguas diferentes – português, inglês, norueguês, espanhol e italiano.

379.641 foi o número de pessoas que assistiram diferentes clipes do documentário Hakani, postados na rede por internautas de várias partes do mundo.

160 foi o número de sites e blogs que discutiram a luta pela vida das crianças indígenas. 10 foi o número de revistas e jornais de grande porte que falaram no assunto, entre eles a Folha de São Paulo, as revistas Isto é, VOGUE, Ultimato, Cristianismo Hoje, o Correio Brasiliense, o jornal USA Today e o jornal Aftensposten da Noruega.

12 foram os programas de televisão que nos entrevistaram ou citaram, entre eles o Sem Censura, da apresentadora Lêda Nagle, o Programa do Jô, o noticiário SBT Repórter e o Nightline da ABC americana.

57 são as pessoas que apadrinharam crianças indígenas atendidas pelo programa da ATINI.

60 foi o número de pessoas que colocaram a mão na massa para tudo isto acontecer - profissionais na área de saúde, comunicação, educação, administração, direitos humanos, além de cuidadores, missionários, motoristas, jornalistas, fotógrafos e muitos outros voluntários.

incontáveis foram as orações espalhados pelo mundo inteiro.

milhões é o tanto vezes que gostaríamos de agradecer!

20/12/2008

É natal! E nós escolhemos acreditar.

clique para ampliar
A menina acima já teve vários nomes, mas hoje se chama Maitá. Ela é uma das crianças beneficiadas pelo programa de apadrinhamento da ATINI. O sorriso de Maitá é o nosso maior presente de natal. Depois de passar por muito sofrimento, depois de ter vivido amarrada com uma corda como um animal raivoso, depois de ter sido abandonada num formigueiro, de passar por todo tipo de abuso e privações, Maitá foi resgatada e hoje consegue sorrir e brincar. Esse sorriso é um convite. Continue conosco em 2009.

10/12/2008

Papa Bento XVI se solidariza com luta da ATINI


Após receber no Vaticano o material da ATINI, uma cópia do livro UM VOZ PELA VIDA e do documentário que conta a vida da menina indígena Hakani, sobrevivente do infanticídio, o Papa Bento XVI enviou uma carta aos dirigentes da ATINI, em Brasília. Através de seu assessor, o Papa demonstrou sua solidariedade com as crianças indígenas brasileiras e com aqueles que apóiam os povos indígenas na luta pela vida.

CNBB recebe visita da menina Hakani

"O que vocês estão me trazendo é muito sério e ao mesmo
tempo muito concreto. O que podemos fazer para ajudar?"
(Dom Dimas, Secretário-executivo da CNBB, após reunião com os dirigentes da ATINI)

Dom Dimas recebeu, na tarde de 3 de dezembro, na sede da CNBB em Brasília, a visita da menina Hakani Suruwahá e seus pais, Edson e Márcia Suzuki. Hakani conversou e brincou com o Dom, e lhe entregou uma cópia autografada do livro UMA VOZ PELA VIDA. Dom Dimas foi muito atencioso e Hakani lhe contou sobre os problemas das outras crianças indígenas atendidas pela ATINI em Brasília.
Os dirigentes da ATINI entregaram ao Dom Dimas uma cópia do documentário Hakani, bem como uma farta documentação que atesta o desejo das comunidades indígenas de abandonar a prática do infanticídio. Após a reunião, Dom Dimas prometeu estudar toda a documentação e se propôs a iniciar uma reflexão dentro da Igreja sobre o que pode ser feito para apoiar os povos indígenas em sua luta pela vida e dignidade de suas crianças.

30/11/2008

Câmara dos Deputados exibe documentário HAKANI

Na manhã do dia 27 de novembro, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados promoveu uma audiência publica com a exibição oficial do documentário HAKANI, do cineasta americano David Cunningham, que aborda a questão do infanticídio nas comunidades indígenas do Brasil. A iniciativa da Comissão contou com o apoio das organizações indígenas que integram o movimento indígena a favor da vida - FUNSAX, FOCCITT, CONPLEI, IACIB e ATINI, e trouxe ao auditório Freitas Nobre líderes indígenas de diversas etnias, todos eles comprometidos com Direitos Humanos e com o bem-estar de suas crianças.



Após a exibição do filme, o Deputado Sebastião Rocha Bala homenageou os atores mirins que trabalharam no documentário e reafirmou o compromisso da Câmara dos Deputados com os indígenas e com esta causa. O Deputado prometeu apoio absoluto da CDHM às organizações indígenas que lutam para que os direitos de suas crianças sejam garantidos. Os líderes indígenas Eli Ticuna e Edson Bakairi proferiram discursos brilhantes e emocionados, deixando bem claro que a luta pela vida das crianças indígenas é uma causa que é deles, e que eles não admitem mais que a situação do infanticídio seja ignorada pelos órgãos indigenistas.


Edson Bakairi - sobrevivente


No final da apresentação, Diva Kajabi, presidente da FUNSAX, exibiu um trecho do discurso do Cacique Aritana Yawalapiti, um dos líderes mais respeitados do Xingu. "Nós estamos sempre fazendo reunião para tratar do rio, da madeira, dos minérios - a única coisa que nós não estamos prestando atenção é nas nossas crianças. Nós temos que compreender que isso é muito triste. Isso agora não pode mais acontecer." (Cacique Aritana, após assisitir o documentário Hakani.)

17/11/2008

xinguanos prometem proteger as crianças



Entre os dias 10 e 13 de novembro, cerca de 250 indígenas de 7 etnias xinguanas interromperam sua rotina diária para tratar de um tema de extrema importância para eles - o infanticídio. A PRIMEIRA REUNIÃO DE CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE INFANTICÍDIO, realizada no Posto Indígena Leonardo, dentro do parque do Xingu, foi a pioneira de uma série de seminários organizados pela FUNSAX - Fundação Sira-I-I do Xingu. A FUNSAX é uma organização indígena coordenada por Paiê Kajabi e sua esposa Diva Kajabi, que atua na defesa dos direitos da crianças indígenas do Xingu. Até hoje, crianças deficientes, crianças nascidas de mãe solteira, e gêmeos são rejeitados em diversas etnias do parque.

Uma das presenças mais marcantes no encontro foi a do respeitado Aritana, cacique geral do Xingu. Ele deu apoio total à causa da Fundação Sira-I-I e à defesa das crianças do parque. Aritana já adiantou que ele mesmo vai convidar todos os xinguanos, especialmente as mulheres, para uma grande reunião sobre este assunto no próximo ano. Ele, juntamente com outros líderes, agentes indígenas de saúde e professores indígenas de diversas etnias, assumiu o compromisso público de trabalhar para que nem filhos de mãe solteira nem gêmeos sejam mais rejeitados dentro do parque. Paiê Kajabi exibiu no encontro um documentário denominado HAKANI, que conta a comovente história de uma menina que sobreviveu ao infanticídio numa comunidade indígena do Estado do Amazonas. Todos os presentes ficaram muito emocionados com a história e motivados a buscar alternativas para que essa prática seja definitivamente erradicada no Xingu.

Agora, cabe ao governo e às organizações que trabalham no Xingu, a tarefa de ouvir as reivindicações dos xinguanos e fazer a sua parte para que a taxa de mortalidade infantil na região seja drasticamente reduzida. Toda criança tem direito à vida e à dignidade.

08/11/2008

xinguanos se mobilizam em defesa das crianças


Entre os dias 10 e 13 de novembro, um grupo de mais de 100 indígenas de diversas etnias xinguanas estarão reunidos no posto Leonardo, no Parque Indígena do Xingu. O encontro foi idealizado e está sendo organizado pela FUNSAX - Fundação Sira-I-I do Xingu, que é uma organização indígena sem fins lucrativos. A PRIMEIRA REUNIÃO DE CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE INFANTICÍDIO se propõe a discutir estratégias para a superação do infanticídio nas comunidades xinguanas. Segundo pesquisadora da UNB, Rachel Alcântara, cerca de 30 crianças são enterradas vivas dentro do parque a cada ano. Esta reunião é um iniciativa das próprias lideranças indígenas, e promete abrir o caminho para que crianças gêmeas, portadoras de deficiências e filhas de mãe solteira tenham garantia do seu direito mais fundamental - o direito à vida.

03/11/2008

Semana da Criança

No dia 18 de outubro, a Atini participou da grande festa da criança indígena do Brasil, Sorriso de Criança 2008, que aconteceu na Esplanada dos Ministérios. Mais de 100 crianças indígenas, seus familiares e muitos outros convidados celebraram a alegria e a própria cultura com oficinas de Pintura Corporal, Brinquedos e Jogos, Música e Comidas típicas, e muitas outras diversões. Agradecemos a todos que se envolveram e fizeram desse dia uma data inesquecível!

30/09/2008

Carta Aberta

Edson Bakairi é sobrevivente - abandonado para morrer na mata, foi resgatado e preservado com vida por suas irmãs. Autor da Carta Aberta, é hoje líder indígena em Mato grosso, professor licenciado em História com especialização em Antropologia pela UNEMAT, presidente da OPRIMT (Organização dos professores Indígenas de MT) por 3 anos.
Leia a carta aqui.

Meu filho tinha um irmão gêmeo

Esse meu filho era gêmeo, tinha dois. Eles enterraram o outro. A enfermeira não me avisou que ela tinha gêmeos. Só na hora que nasceram as crianças, às duas horas da madrugada. Eu estava na minha casa e a minha esposa estava na casa da mãe dela. Aí, depois que nasceu, a pessoa veio falar prá mim que eram duas crianças. Eu levei um susto, né? Eles me avisaram que iam enterrar as duas. Aí eu falei que não, que eu precisava pegar pelo menos uma delas. Mas a família não queria que eu pegasse nem uma das crianças.

Leia o depoimento de Paltu Kamayurá

20/08/2008

Movimento Indígena a Favor da Vida

Indígenas das etnias Ticuna, Kaiwa, Tucano, Kamayurá, Terena e Bakairi, criaram o Movimento Indígena a favor da Vida, reafirmando seu protagonismo na transformação social e seu compromisso com a vida. No primeiro encontro, realizado em Brasília, nos dias 16 e 17 de agosto, os participantes debateram a questão do infanticídio, o projeto de lei e estabeleceram importantes estratégias de ação, como a participação no CONPLEI, que reunirá cerca de 2 mil indígenas (no mês de setembro, em Manaus), e a elaboração de uma proposta ao texto do projeto de lei para ser entregue à Comissão de Direitos Humanos.

Outra decisão importante foi a proposta de uma grande manifestação em outubro, em frente ao Congresso Nacional, em favor das crianças indígenas. O evento será um marco para Brasília, cidade onde vivem aproximadamente 8 mil indígenas de diversas etnias, mas que ficou marcada no cenário nacional quando cinco rapazes de classe média atearam foto no índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, que dormia em uma parada de ônibus, provocando sua morte, em 1997.

Visite o blog do movimento para saber como apoiar o movimento indígena nessa luta pela vida

03/07/2008

Conselho Federal da OAB

O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, encaminhou ao coordenador do Grupo de Trabalho de Assuntos Indígenas e conselheiro federal da entidade, Lúcio Flávio Sunakozawa, mensagem recebida pela Presidência propondo o apoio da entidade e pedido para que seja apreciado com celeridade o projeto de lei 1057/2007. O referido projeto é conhecido como Lei Muwaji, de autoria do deputado Henrique Afonso, e pretende proteger crianças indígenas do infanticídio. A mensagem também foi encaminhada por Cezar Britto ao presidente da Comissão Especial da Criança, do Adolescente e do Idoso da OAB, conselheiro Carlos Augusto Macêdo Couto.

Sobre o direito à família

Criança indígena não tem direito à família?
ABPM, 26-02-2008

"Existe entre nós um universo de crianças que não merecem ter uma família? Será que o bom senso que rege os direitos fundamentais de todas as crianças brasileiras, deva estar ausente para as crianças indígenas?A constituição brasileira, ao abraçar a doutrina da proteção integral e garantir a TODAS as crianças brasileiras o direito fundamental à família, teria excepcionado à criança indígena o amor parental, privando-a da alegria de pronunciar a palavra "pai e mãe" em qualquer língua que seja, em prol do respeito aos seus costumes?"

Leia aqui o artigo de Ariadne de Fátima Cantú da Silva, Promotora de Justiça (Campo Grande-MS) e Coordenadora da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança Indígena da ABMP

Funai tenta impedir veiculação de filme

Funai tenta impedir veiculação de filme
Correio Braziliense, 03-07-2008

"O filme integra campanha de combate à prática de infanticídio entre tribos da Amazônia. Para a entidade, produção generaliza tradições de forma inadequada.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) estuda qual instrumento jurídico vai utilizar para impedir, na Justiça, a divulgação do filme Hakani pela internet e emissoras de televisão brasileiras. Com 36 minutos de duração, o misto de documentário e drama conta a história de duas crianças indígenas enterradas vivas por terem nascido com deficiências físicas e faz parte da campanha contra o infanticídio nas tribos da Amazônia. O ritual ainda é praticado por várias tribos, inclusive os Suruwaha, etnia que vive às margens do Rio Purus, no Amazonas, onde a história do filme se passa. Era nessa aldeia que vivia a menina Hakani."
Leia a reportagem aqui.


Faça o download ou assista o filme Hakani.

30/06/2008

Professora defende diálogo entre culturas

Em setembro de 2005, a antropóloga e professora da UFABC Ana Keila Pinezi viu-se diante de um cipoal jurídico-antropológico de intrincada resolução. Ela foi convidada a elaborar um parecer a respeito do caso da índia Sumawani, que fora condenada à morte por sua etnia, os Suruwahá, por ter nascido com traços de pseudo-hermafrodismo.

leia aqui o artigo Por uma antropologia dialógica

31/05/2008

Lei Muwaji

O Projeto de Lei 1057, de autoria do deputado Henrique Afonso (PT-AC), tem como objetivo proteger crianças indígenas em situação de risco de rejeição, maus tratos ou morte - colocando o Brasil em sintonia internacional com a maneira como são tratadas práticas tradicionais que violam os direitos humanos, sem deixar de valorizar, respeitar e preservar a cultura. Prova disso é a participação de líderes indígenas em sua elaboração, como Eli Katchachunga (etnia Ticuna, do Amazonas).

O PL foi apresentado à Câmara dos Deputados em 11/05/2007, mas foi tratado com desinteresse por mais de um ano por sua relatora, a Deputada Janete Pietá. Mas nem o descaso e a oposição foram capazes de calar esse clamor pela vida. O PL, que se tornou internacionalmente conhecido como Lei Muwaji, motivou um debate amplo e inédito na sociedade brasileira sobre a questão do infanticídio.

O cientista político brasileiro Paulo Sérgio Pinheiros, coordenador do estudo que mapeou a violência contra crianças em 130 países do mundo, apresentado à ONU em 2006, diz que "a lei não é uma varinha de condão, mas sem ela fica difícil animar as vontades."

leia o texto do PL

24/05/2008

Jô Soares apresenta Quebrando o Silêncio

No programa exibido em 24/05/08, Jô Soares entrevista o ator Sérgio Mamberti, Secretário da Identidade e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, e apresenta a revista Quebrando o Silêncio - um debate sobre o infanticídio nas comunidades indígenas do Brasil, organizada por Marcia Suzuki. Sérgio Mamberti ressalta que "a diversidade não é apenas um termo genérico, quando eles falam hoje de diversidade cultural é em função da Convenção Internacional da ONU da Diversidade Cultural, que foi aprovada em 2005, e certamente ela protege e valoriza os valores culturais das culturas tradicionais mas ela está conjugada com a Declaração dos Direitos Humanos."

Uma voz pela vida

A ATINI - VOZ PELA VIDA é uma organização sem fins lucrativos, sediada em Brasília - DF, reconhecida internacionalmente por sua atuação pioneira na defesa do direito das crianças indígenas. A Atini é formada por líderes indígenas, antropólogos, lingüistas, advogados, religiosos, políticos e educadores, e nutre profundo respeito pelas culturas indígenas. leia mais.

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